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quarta-feira, 24 de março de 2010

Astrid & Gaston Santiago - cena

Inspirados pelo almoço que tivemos, voltamos no dia seguinte para o nosso jantar. Dessa vez, optamos pelo menu degustação, que foi uma excelente escolha. Foram duas entradas frias, duas entradas quentes (as quatro servidas juntas), três pratos principais e duas postres. Tudo é pouco, apenas para degustar, mas suficiente. Mais seria exagero.
Uma coisa que me impressionou muito foi o timing do serviço. A orquestração entre o salão e a cozinha foi perfeita, porque alguns minutos depois de termos terminado um prato, lá vinha o seguinte. Nada foi atropelado e nunca tivemos de esperar com cara de fome. É o tipo de profissionalismo que impressiona e deixa a gente mal acostumado.
Quanto ao vinho, descartei pedir uma garrafa de vinho inteira para os dois, porque dificilmente um só vinho, por melhor que fosse, combinaria com tantos pratos diferentes. Perguntei ao sommelier se não poderíamos dividir uma taça de vinho com cada prato (seriam cinco, no total). Ele aceitou e trouxe as cinco (na verdade 10, porque gentilmente já trazia cada taça dividida). A idéia não poderia ter sido melhor, porque ele trouxe vinhos excelentes, que combinavam perfeitamente com cada prato, alguns com custo bem abaixo do que eu mesmo teria escolhido. Um modelo de profissionalismo: competente e honesto. Quando voltamos, mandei um e-mail sugerindo que essa prática (menu degustação com acompanhamento de vinho) fosse incorporada ao cardápio.
Fizemos apenas uma alteração. As duas sobremeses sugeridas (suspiro a la limeña e arroz con leche) não nos atrairam e pedimos a torta de maçã (sim, aquela) e e soufflé de chococo. Divinos! Seguem as fotos dos pratos; as fotos sendo noturnas, não ficaram tão boas quanto as do almoço. E não me lembro do nome de todos os pratos.
  • Quatro entradas:

  • Primeiro prato principal:

  • Segundo prato principal:

  • Terceiro prato principal: 

  • Postres:
Saldo:  Jantar no Astrid & Gastón é uma experiência única. Tudo é voltado à experiência gastronômica do comensal. Não há requintes decorativos, apenas um salão confortável. A comida é extraordinária e o atendimento exemplar. A nossa única experiência que superou o Astrid & Gastón (tanto em Santiago quanto em Lima) foi o Dining Room do Ritz Carlton, em San Francisco, mas a um custo consideravelmente superior.

terça-feira, 23 de março de 2010

Astrid & Gaston Santiago - almuerzo

Sem dúvida, o motivo especial de nossa ida a Santiago foi a ida ao Astrid & Gaston. Já havíamos ido à casa principal, em Lima, e ficamos impressionados com a qualidade da cozinha. Tudo é muito bom. Em Lima, fomos jantar duas vezes. Em Santiago, tivemos um almoço e um jantar (em dias diferentes, claro).
Em Santiago, eles ficam em um discreto sobrado de uma tranquila rua no bairro de Providência. Em Lima também estão instalados em uma casa bem discreta. Pelo visto, valorizam mais a comida que as aparências. Decoradores e arquitetos da moda não têm vez lá.
Fizemos as reservas por telefone, daqui mesmo do Brasil. Não foram necessárias para o almoço, porque havia algumas mesas vagas. Já para o jantar, foram essenciais.
Tanto no almoço como no jantar, o couvert foi por conta da casa (anotem, restaurantes paulistanos!).
Para o almoço, não pedimos entrada, apenas os dois pratos principais. Limitado que sou na minha prosa, não vou sequer tentar descrever a experiência gastronômica. Mas posso garantir que foi boa. A Érica pediu Corvina a lo macho andino (não tem nada a ver com a corvina brasileira) e eu um Cabrito adobado (ensopado). Seguem fotos, na ordem:

Para sobremesa, pedimos Fina tarta de manzana horneada al momento con helado e Esfera de chocolate derretida con compota. No segundo caso, ao servir a sobremesa, o garçom joga uma calda quente por cima de esfera de chocolate, que se derrete para revelar o delicioso recheio. Ao chegar, a sobremesa é linda, com uma linda e apetitosa bola de chocolate. Por falha minha, fiz a foto apenas depois que o garçom jogou a calda quente e derreteu a tal bola. A sobremesa estava mais bonita antes... Mas seguem as fotos, na ordem:

Pedimos cada um uma taça de vinho para acompanhar, não me lembro quais - mas lembro que eram deliciosos.
Tanto a pessoa que fez as reservas como a recepcionista foram muito simpáticas, sem serem afetadas ou snobes. É uma das coisas que gosto no Chile, os profissionais do turismo são atenciosos sem serem subservientes ou arrogantes.

sexta-feira, 19 de março de 2010

La Mar Santiago

Tendo visitado o La Mar de Lima e o de São Paulo, não poderíamos deixar de ir ao de Santiago, em nossa recente visita à aquela capital. Em poucas palavras, as três casas podem ser descritas da seguinte forma:
  • La Mar Lima: extraordinários pescados e ingredientes, bons preços, oferta mediana de vinhos;
  • La Mar São Paulo: bons pescados, preços caros, oferta mediana de vinhos;
  • La Mar Santiago: extraordinários pescados, bons preços, excelente oferta de vinhos.
Temo dizer que o nosso La Mar em São Paulo não consegue concorrer com os outros dois. Não há como nós aqui competirmos com os pescados do Pacífico ou os vinhos chilenos. Paciência. Em Santiago, a carta de vinhos trazia nada menos que 42 sauvignon blanc, nove dos quais eram oferecidos em taças (veja a lista abaixo - o mais fraquinho era o Casillero del Diablo, nosso velho conhecido). O ambiente é informal (dentro dos padrões chilenos, claro) e o serviço, apesar de informal, é muito eficiente. Abaixo estão algumas fotos dos pratos que degustamos nas nossas duas idas ao La Mar.
  • Causa mixta:
  • Degustación de cebiche:
  • Tiradito nikkei:
  • Arroz norteño:
  • Arroz chaufa:
  • Mero macerado:

  • Chocolate soufflé:
  • E la pièce de résistance, tres leches:
 Sauvignon blanc em taças no La Mar (ai que saudade...):
  • concha y toro casillero del diablo central
  • amaral reserva leyda
  • william cole alto vuelo casablanca
  • casablanca nimbus single vineyard casablanca
  • veramonte reserva casablanca
  • casa silva reserva central
  • conosur visión casablanca
  • garcés silva amayna leyda
  • concha y toro terrunyo casablanca

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Pinpilinpausha

Fomos, pela segunda vez, ao Pinpilinpausha (http://www.pinpilinpausha.cl/- quer dizer borboleta em basco), um restaurante espanhol/basco na Isidora Goyenechea, bem próximo ao hotel que ficamos. Da outra vez que fomos, penso em 2006, comemos o Ojo de bife en la salsa a las 3pimientas, muito saboroso, acompanhado de um robusto tinto. Desta vez, optei pelo Salmón Isodora (finas escalopas de salmón en salsa de champiñones), que estava uma delícia. Não me lembro do acompanhamento, de tão divino que estava o salmão. Para acompanhar, uma taça de chardonnay Tabali, também muito bom. A Érica preferiu o mesmo ojo de bife, com batatas cozidas e vagens, sem vinho. A carne veio suculenta e saborosa, em porção extremamente generosa. Pelo tamanho das porções servidas no Pinpilinpausha, as entradas são totalmente dispensáveis, exceto se o prato principal for dividido. Os preços são bastante razoáveis, penso (o meu salmão foi R$ 31 - não sei onde em SP poderíamos comer um salmão dessa qualidade a esse preço). Já sabendo da generosidade das porções, para sobremesa escolhemos o mousse de 3 chocolates, que já havíamos provado (e aprovado) da outra vez. Penso que o arroz a la valenciana que servem deve ser muito bom, mas tem de ser no mínimo para duas pessoas. Talvez no futuro.

domingo, 10 de janeiro de 2010

El Mondo del Vino

A menos de duas quadras do nosso hotel havia uma tienda da rede El Mondo del Vino. Como disse, o hotel tem excelente localização. No penúltimo dia, fui até lá para comprar algumas garrafas para trazer de volta. Seria melhor ter deixado para o último dia, para acrescentar mais experiência à compra. Em cada almoço ou jantar, degustávamos algumas copas de vinho, a maioria muito boa. Mas como o último dia era 31 de dezembro, com horário de funcionamento incerto, acabei antecipando a compra. Comprei cinco garrafas (deveria ter comprado mais...) que serão descritas conforme forem degustadas. Achei curioso que a rede não vende Undurraga, não sei se porque a marca é vendida em supermercados ou por outro motivo. Também não vende Santa Ema, que produz alguns dos melhores vinhos que já degustei no Chile. Uma pena. A loja que fui, da Isidora Goyenechea, é imensa, com uma vasta seleção. Pessoalmente, teria preferido achar uma loja menor, com vinhos mais especializados e com o próprio dono atendendo. Embora tenha feito uma rápida pesquisa não achei tal loja, fica para uma próxima vez. De qualquer forma, a garota que me atendeu na El Mondo del Vino parecia entender bem e tinha opiniões muito formadas sobre vinho. Minhas compras foram baseadas em suas sugestões e nas classificações da Guia de Vinos de Chile. Vamos ver no que dá.

Viña Undurraga

Em três viagens anteriores ao Chile, conhecemos apenas uma vinícola, a Balduzzi. Embora interessante, foi rápida e descompromissada, pois era gratuita e sem horário agendado. Desta feita, apreciadores de vinhos que somos, resolvemos fazer a coisa certa. Segundo o TripAdvisor, a melhor visita era a da Viña Undurraga, que precisava ser agendada de antemão e custa 7.000 pesos. Agendei por por telefone e no dia pegamos o "small green bus" na rodoviária central, partindo para Talagante, no caminho para a qual está a viña. Havia duas visitas guiadas no horário agendado, uma em espanhol e outra em inglês. Acabamos fazendo a em inglês, porque tinha menos pessoas, apenas uma família de americanos. Victor Hugo, nosso guia, foi ótimo. Brincalhão como costumam ser esses guias, foi muito informativo, tanto dos aspectos gerais do Chile, quanto do cultivo das uvas e processo de fermentação dos vinhos. Todas as dúvidas que tive foram bem respondidas. Terminada a visita, pudemos degustar quatro vinhos diferentes, de categoria reserva. Um, um sauvignon blanc reserva especial, foi muito bom. Os dois tintos foram razoáveis (apenas) e um espumante foi indiferente (demasiadamente doce). Ao final, pudemos ficar com as taças de degustação, tipo ISO e muito bonitas. Como os preços dos vinhos lá são cerca de 20% menores que nas tiendas especializadas, compramos dois, o sauvignon blanc que gostamos (T.H., que é a terceira melhor linha, das 14 produzidas) e um cabernet sauvignon (Founder's Collection, a segunda melhor linha; a primeira linha, Altazor, é cara demais para nós). Quando degustarmos qualquer um dois dois, vou postar os resultados.

Santiago

Este final de ano, passamos quatro dias em Santiago do Chile. Viajamos com a milhagem acumulada da TAM, o que acabou fazendo que nossa viagem ficasse mais barata que uma ida ao Guarujá para o Ano Novo. Não preciso dizer que o objetivo principal da ida foi comida e vinhos. Embora breve, o tempo foi bem aproveitado. Ficamos no ótimo Atton El Bosque e passeamos pela região, que é bem elegante. Um dia fomos ao conhecido shopping Alto Las Condes e outro fomos a uma atração turística relativamente nova, o Pueblito Los Dominicos, que consiste em uma vila de lojinhas de artesanato, muito interessante. Quanto à parte enogastronômica, que é o que interessa, visitamos a Viña Undurraga e fomos duas vezes ao La Mar e ao Astrid y Gaston, além de voltar ao Pinpilinpausha, e conhecer o Puerto Fuy e o Cuerovaca. Nos próximos posts, vou falar um pouco mais sobre cada um. Quanto às compras enogastronômicas, trouxemos apenas sete excelentes garrafas de vinho e alguns potes de mel, incluindo o meu velho preferido, miel de ulmo, e outras preciosidades, como mel da Patagônia (levíssimo e delicadíssimo) e mel da florada do deserto, que acontece apenas a cada tantos anos. Foi uma viagem breve, mas extremamente prazeirosa. Aproveitamos cada dia e retornamos a SP com a vontade de voltar a Santiago para continuar as explorações enogastronômicas.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Viagem à Lima - Parte 2

Seis meses depois da nossa viagem, resolvo publicar mais um post sobre Lima. Fizemos tantas anotações, e as experiências foram tão boas, que eu não gostaria de deixar de comentar pelo menos alguma coisa. Vamos lá. A partir do momento em que decidimos ir a Lima, passamos a consultar blogs de foodies, para ver o que falavam sobre os restaurantes locais. Com base nessa pesquisa, fizemos uma lista de possíveis casas a serem visitadas. A cada almoço e jantar, experimentávamos algo diferente. Entre os lugares que visitamos, estão o Pardo's Chicken, Astrid & Gastón (duas vezes), Toshiro's, Huaca Pucllana, Cebicheria La Mar, José Antonio, Fusión, Cebicheria Pescados Capitales e Brujas de Cachiche. Apesar de toda a competência da culinária limeña, Astrid & Gastón estão em um patamar acima. Aqui no Brasil não temos nada que se aproxime, acredito, nem o D.O.M. (o qual tem grandes méritos, sem dúvida, mas que foi inconsistente em nossa última visita). A qualidade da cozinha do Astrid & Gastón, e de sua cebicheria, La Mar, é extraordinária. Quem sabe ainda escrevo um post com comentários mais detalhados sobre a experiência. Depois destes dois, os melhores, em nossa modesta opinião, foram Fusión, Brujas de Cachiche, Pescados Capitales e Huaca Puclana, nesta ordem. O José Antonio e o Toshiro's foram bons, mas sem grandes destaques (vimos o Toshiro almoçando no La Mar, para terem uma idéia...). O Pardo's Chicken foi honesto e muito bom, dentro de sua proposta de comida simples e despretenciosa. Vamos ver como anda a milhagem da TAM, para voltarmos e degustarmos outras delícias. A foto acima é de uma Causa Mixta, degustada no La Mar. Causas combinam batatas com outros ingredientes. No caso, havia cinco causas, e cinco tipos de batatas, diferentes. Notem o cuidado na apresentação do prato, isto para um restaurante bastante informal, no almoço.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Viagem a Lima - Parte 1

Neste Carnaval fomos até Lima, Peru, para conferir a cena gastronômica por lá. Definitivamente valeu a pena e deixou a vontade de voltar. A qualidade dos pescados é insuperável, e de forma geral são preparados com muito esmero. Alguns chefs são especialmente criativos e barbarizam com os ingredientes locais. Nos próximos posts falarei sobre a nossa experiência por lá, para então voltar a publicar receitas minhas - que estão cada vez mais pobres, comparadas com as desses feras...

Viagem a Nova York - Parte 6

Além dos restaurantes e confeitarias dos quais já falei, e os quais me impressionaram particularmente bem, almoçamos e jantamos em outros restaurantes, muito bons também, embora diferentes ou mais simples. Vou aproveitar esta postagem para falar resumidamente deles e encerrar os relatos sobre nossa viagem a NY.

Bún Soho – Este é um interessante e badalado restaurante no Soho. É todo moderninho e serve uma comida vietnamita fusion. Segundo o seu site, foram muito elogiados pela imprensa gastronômica. Bún, viemos a saber, é um macarrão de arroz muito comum naquele país. O Bún Soho serve bún frio, quente, ensopado, talvez até como sobremesa. Os pratos têm uma apresentação elegante e uma combinação de sabores muito inusitada, mas definitivamente oriental. Para beber, Tiger Beer, uma as cervejas mais comuns na Ásia. Aprovado!

Baluchi’s – É uma pequena rede local de restaurantes indianos, apesar do nome italiano (pelo menos a meu ver...). Almoçamos em sua filial do West Village e gostamos muito. É barato (no almoço, os pratos têm desconto de 50%) e muito variado, mais do que os representantes indianos daqui de São Paulo (conhecemos o Govinda e o Pandoor). Os pratos mais apimentados eram identificados no cardápio com uma pimentinha ao lado – original...

Village Mingala Burmese Restaurant (não tem site, 21-23 E. 7th Street) – Nesse dia, estávamos procurando um lugar para comer no East Village, antes da peça que assistimos (isso é outra história...). Nada que tínhamos visto nos apetecia – vazio demais, cheio demais, turístico demais, etc. Passamos em frente desse e olhamos para dentro. Embora atraídos, da rua reparamos que o local estava meio vazio, com garçons assistindo TV – mau sinal. Já estávamos continuando quando um casal passou por nós e entrou decididamente pela porta. A moça ainda falou – não sei se para a gente ou para o seu acompanhante: “The food is really good here”. Com essa dica, entramos e não nos arrependemos. Comida oriental diferente de tudo que já havíamos provado. Logo depois de nós, várias outras mesas chegaram, todos já íntimos do local, que pelo visto tinha uma legião de admiradores do East Village. Havia motivo, a comida era ótima e muito acessível, uma das refeições mais baratas que comemos em NY.

Atlas Café (não tem site – 73 Second Ave.) – Nesse mesmo dia, saímos do Mingala e fomos procurar uma sobremesa. Achamos esse local, minúsculo, com várias mesas, banquinhos, cadeiras e balcão empilhados. Nos esprememos em um canto e olhamos em volta. Havia um menu bastante interessante, mas satisfeitos pelo jantar do Mingala pedimos apenas sobremesa e café. Escolhemos uma apple crumb pie (sim, gostamos dessa sobremesa) que estava tão deliciosa que até pedimos até um segundo pedaço! Os funcionários eram divertidíssimos, até tiraram fotos nossas.

Grimaldi’s – Achamos essa pizzaria quando fomos passear no Brooklyn para conhecer a ponte. Fala-se tanto das pizzas de NY que resolvemos conferir. Pelo que viemos a ler na frente do restaurante e posteriormente, essa é considerada uma das melhores da cidade ("Our pizza was rated #1 in the Zagat Survey"). Era um domingo no almoço, e o local estava repleto – muito repleto. Esperamos alguns minutos e conseguimos uma mesa. Como sempre, o atendimento foi muito profissional, simpático e atencioso. Embora a pizza fosse muito boa, não é melhor que as de São Paulo. O que notamos, tanto nessa casa como em outras onde estudamos os menus, é que os sabores das pizzas são muito limitados e conservadores, quase sempre os mesmos (pepperoni, champignon, pimentões e azeitonas). Nesse aspecto – talvez até para desespero dos puristas – São Paulo tem muita criatividade e oferece pizzas ousadas e muito saborosas. Serei bairrista e continuarei preferindo as nossas redondas.

Jackson Hole – Conheço essa rede de lanchonetes há muitos anos, graças a um aluno que era um grande fã de seus hambúrgueres. Havia uma filial em Englewood, a caminho de onde estávamos hospedados. De tanto eu falar, acabamos jantando lá um dia. Essa filial, em especial, era interessante porque estava instalada dentro de um antigo trem ferroviário. O cardápio era o esperado, com gigantescos hambúrgueres (200 gramas de carne!) e outros standards da cozinha americana. Pedimos os nossos, que vieram acompanhados de fritas deliciosas (melhores que as do Les Halles). Para beber, root beer, claro. Tudo estava ótimo. Satisfação garantida.

Katz’s Delicatessen – Nenhuma viagem a NY seria completa sem uma refeição no Katz, principalmente para mim, que adoro pastrami e corned beef. Fundada em 1888, é definitivamente uma instituição local, conhecida e freqüentada por todos, gente local, trabalhadores, celebridades e turistas japoneses. Leo resolveu encarar um sanduíche de pastrami sozinho, enquanto que Érica e eu, que já não temos a disposição dos 14 anos, dividimos um reuben e ficamos bem satisfeitos. Eu já não lembrava quão bom é o pastrami e corned beef dessa casa. Delicioso, desmancha na boca. Os nossos, por melhor que sejam, são sempre um pouco rijos. Não dá para comparar. Se vivêssemos em um mundo perfeito, como diria Antony Bourdain, moraríamos em uma cidade que teria as pizzas de São Paulo e o pastrami do Katz’s – e as ladeiras de São Francisco, para andar e queimar todas as calorias e colesterol dessa dieta... ;-).

Em nosso último dia, fomos conhecer a Little Italy que fica no Bronx, a qual dizem que é muito mais original e tradicional que a de NY. Fica em um quarteirão da Arthur Ave., local não muito fácil de achar (mas nada que o Google Maps não resolva!). Almoçamos em um mercado que havia por lá, com várias bancas de produtos italianos, algumas das quais também serviam comida muito boa. Eu provei uma deliciosa sopa de massinha com escarola, ótima! Foi uma deliciosa despedida gastronômica de Nova York.

Viagem a Nova York - Parte 5

Desde o momento em que começamos a planejar nossa viagem à NY, a Érica só falava em voltar à Magnólia Bakery. Descobrimos essa deliciosa confeitaria totalmente por acaso, em nossa visita à NY em 1999. Estávamos passeando pela Bleeker Street quando a Érica ficou simplesmente paralisada em um transe gastronômico em frente ao estabelecimento. De fato, confesso que o aroma que saía pela porta era inebriante. Havia apenas alguns estudantes, tanto clientes quanto funcionários, e a descontração era geral. O local era pouco conhecido. Voltamos mais uma ou duas vezes, para saborear as delícias.

Desde então, a Magnólia Bakery ficou famosa. Está listada em todos os guias de NY, tem seu artigo no Wikipedia, abriu filial no Uptown e foi promovida até no conhecido programa Sex and the City. As proprietárias publicaram vários livros de receitas. Rumores eram que, para entrar, era necessário enfrentar uma fila que dava a volta no quarteirão. Gosto de sobremesa, mas não gostaria de ficar esperando em pé no gélido inverno novaiorquino, portanto não partilhei do entusiasmo da Érica.

Assim que deu, passamos por lá. De fato havia uma fila, mas por sorte era de apenas algumas pessoas. Esperamos alguns minutos e pudemos escolher nossos cupcakes, cheesecake e cookies, todos deliciosos. Matamos a vontade. Com o sucesso do local, o atendimento estava um pouco mais apressado. A fila tinha de mover-se rapidamente, sem enrosco. Mas tudo bem, valeu a pena e voltamos uma segunda vez.

O interessante da viagem é que um outro dia, quando estávamos passeando pelo Chelsea, passamos em frente de outra confeitaria, Billy’s Bakery, que tinha exatamente a mesma cara da Magnólia de anos atrás. Claro, entramos, provamos e aprovamos os confeitos. Muito bons, diria até que ao nível de sua concorrente mais famosa. Naquele dia, levamos uma deliciosa apple crumb pie para saborear em casa. Uma delícia.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Viagem a Nova York - Parte 4

Passamos três noites hospedados em um hotel perto da Union Square, o Hotel 17. Embora simples, era limpíssimo, organizado e extremamente bem localizado. Depois de ficar nessa região, não voltaria a me hospedar no Midtown. Depois da nossa ida ao Les Halles, na segunda noite comemos no Chino's (Critics’ Pick), que ficava menos de um quarteirão do nosso hotel. Foi uma ótima descoberta da Érica, que achou este interessante lugar quando passávamos em frente, rumo ao metrô. Já falei sobre o seu radar de sobremesas, acrescente-se agora o radar de fine cuisine. É um lugar muito pequeno, que serve principalmente petiscos, ao estilo de bar. Agora em NY todos chamam isto de tapas, à moda espanhola. Na sua descrição, o Chino diz que serve “Asian tapas”. São porções menores, mas a preços bastante justos. Famintos, escolhemos costela de porco na grelha com gergelim e molho de ameixa, um Mahi Mahi, carne com erva cidreira, amendoim e coentro, e outras coisas que me fogem à memória. Ambos estavam de-li-ci-o-sos, uma agradável combinação de sabores, entre salgado e doce e forte e suave. Foram dos melhores pratos orientais que já provei. No cardápio, podem-se ver outras opções. Ficamos tentados a voltar, mas preferimos continuar nossas explorações nos dias que se seguiram.

Fomos também (claro, no dia seguinte) na Casa Mono (Critics' Pick), que ficava a meio quarteirão do hotel (City Bakery, Chino, Casa Mono – eu falei que o hotel era bem localizado...). A Casa Mono é um restaurante espanhol que serve – acertaram – tapas. Tivemos que fazer reserva, porque o lugar é minúsculo e ferve. Mas é muito bom. Pedimos pan con tomate, para começar. Depois pedi uma dorada, feita na grelha com um acompanhamento que não me recordo. A lembrança, contudo, é de uma experiência extremamente gratificante, principalmente regada ao bom vinho branco espanhol que tomamos. Encerramos com uma crema catalana, deliciosa. Já fiz uma nota mental para em uma próxima viagem anotar o que comemos em cada lugar, para melhor poder comentar posteriormente. Sem anotações, os detalhes ficam nebulosos, fica apenas a sensação.

Em ambos os lugares o atendimento foi muito bom. Os pratos sempre vieram rápido e corretos. A casa cheia faz com que os servers (termo politicamente correto para garçons e garçonetes) não tenham muito tempo para descrever os pratos, mas, na medida do possível, explicam um ou outro ingrediente ou curiosidade. É só não abusar. Uma curiosidade: na Casa Mono, ao nos despedirmos, a server retornou com um sonoro e simpático "Boa noite!". Provavelmente mais uma brasileira em NY.

Viagem a Nova York - Parte 3

Quando estávamos preparando a viagem para NY, fizemos uma lista dos possíveis restaurantes que gostaríamos de conhecer. Obviamente gostaríamos de jantar no Per Se ou no Alain Ducasse, dois afamados estabelecimentos que mereceram três estrelas do guia Michelin. Mas devido a restrições orçamentárias, acabamos visitando comedorias mais acessíveis. Uma forma de fazer isso foi visitar o site do New York Magazine, que comenta tudo o que acontece naquela cidade, inclusive restaurantes. Fiz uma busca selecionando restaurantes que tivessem recomendação dos críticos (na forma de estrelinhas ou “Critics’ Pick”) e também fossem das categorias mais baratas (um ou dois $). Copiei e colei os resultados em uma listinha que ficou permanentemente comigo.

Foi uma ótima estratégia, porque logo no primeiro dia, após deixarmos as malas no hotel, cedo ainda, saímos a pé para explorar as redondezas e comer algo. Graças à poderosa listinha, vi que uma rua acima da nossa havia a City Bakery (Critics’ Pick). Foi onde tomamos nosso café da manhã naquele dia e nos próximos três. É um lugar bastante amplo e despretensioso, diria até estudadamente bagunçado. Sempre repleto de gente local tomando seu café da manhã, vimos turistas apenas uma vez. Ao mesmo tempo, como o lugar era amplo, nunca deixamos de achar uma mesa para os três. Pega-se o que se quer e paga-se no caixa, simples assim. O balcão tinha iogurte, granola e frutas (quase todas em conserva, considerando-se a época do ano). Especialmente boas eram as cerejas e lichias em conserva – uma delícia! Na parte de patisserie havia croissants, cookies, excelentes blueberrry muffins, etc. Tudo muito saboroso e barato. Cada dia provávamos algo novo. Para quem está hospedado na região da Union Square, é um endereço obrigatório.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Viagem a Nova York - Parte 2

Após ler três livros do Antony Bourdain, fiquei curioso para saber como era o Les Halles, onde ele foi chefe executivo por uns tempos. Em Nova York, existem duas unidades, na Park Avenue e no Downtown, na John Street. Fomos na segunda, no dia em que chegamos, por ficar mais próxima de nosso hotel. Fomos no final da tarde, começo da noite, quando as hordas noturnas ainda não haviam aportado. A Érica pediu uma sopa de cebolas de entrada, seguida de um coq au vin, guarnecido de purê de batatas. Leo e eu pedimos um steak, frites, salade. Eu queria provar a famosa carne e fritas, dos quais Bourdain tanto fala. A sopa de cebolas estava muito boa, com ótimo queijo (até melhor do que aquele que eu uso na minha receita adaptada), mas segundo Érica, a minha era até melhor (modéstia às favas...) porque é menos ácida. Lembrem-se que eu coloco menos vinagre e mais vinho do porto, além de uma pitada de açúcar. Pois é, parece que faz diferença para o nosso gosto. Seu coc au vin estava bom, igual aos que ela come em São Paulo (aves não são meu forte), mas o purê estava totalmente insosso. Parecia apenas batata amassada, sem tempero, manteiga ou creme. O do Eric Jacquin é imensamente melhor (another level, como dizem). Quanto ao nosso steak, frites, salade, a carne estava inegavelmente saborosa e tenra. A salada era de folhas verdes, com um molho indiferente, já provei muito melhor. Quando às alardeadas frites, uma decepção. Estavam ligeiramente queimadas e nada especiais. Quando provei, pensei comigo mesmo que as do Ponto Chic em São Paulo são melhores. Posteriormente, quando comemos na Jackson Hole, a conhecida rede de lanchonetes, provamos batatas fritas infinitamente melhores, saborosas, crocantes e no ponto. Talvez tenha sido apenas um mau dia no Les Halles, não sei, mas que as frites estavam medíocres, isto estavam.

Terminamos com um crème brûlée (honesto) e eu com um Porto ou Sauternes, não lembro qual, mas muito bom.

A conclusão foi que o marketing do lugar elevou nossas expectativas a tal ponto que saímos – confesso – um pouco frustrados. Nada estava ruim, apenas esperávamos mais.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Viagem a San Francisco, parte 3

De todas as nossas refeições em San Francisco, a que mais ficou na memória foi o jantar no The Dining Room do hotel Ritz-Carlton. A falta de imaginação do nome é amplamente compensada pelo rigor da cozinha e do atendimento. Fizemos reservas on-line daqui de São Paulo, através do Open Table, um excelente serviço de reservas via internet. Funcionou maravilhosamente. Confirmaram a reserva dois dias antes, deixando um recado no bed & breakfast onde nos hospedamos (que também será motivo de um post futuro).

Tivemos a idéia de jantar lá através de um blog local, o San Francisco Gourmet, que falava muito bem desse local, detentor de uma estrela do guia Michelin (apesar do blog achar que merecia mais). O chef, Ron Siegel, foi sous-chef do famoso French Laundry, depois executive chef do Masa, para então dirigir o The Dining Room. Consideramos uma ida ao French Laundry, mas acabamos acatando a opinião do San Francisco Gourmet, que achava que com todas as estrelas (três) concedidas pelo Michelin, o French Laundry estava caro demais e estava deixando de inovar. Como não fomos lá, não podemos fazer uma comparação direta, mas que o The Dining Room foi extraordinário, isto foi.

Na noite do nosso jantar, chegamos no horário previsto e a ótima mesa de canto já estava pronta. Sem exceção, todos, do maître aos servers (waiter deixou de ser politicamente correto) ao sommelier com seu forte sotaque francês, foram simpáticos e atenciosos ao máximo.

Pedimos o menu degustação de seis pratos (six-course tasting menu). Havia também o de nove pratos, mas aí achamos que seria demais (até para o bolso). A maravilha é que existe a opção do wine pairing, isto é acompanhar cada prato com o vinho apropriado (cinco vinhos, no total). No caso, o sommelier ofereceu dois vinhos diferentes para cada prato, o que permitiu que degustássemos dez dos melhores vinhos que já tomamos, e que provavelmente não tomaremos novamente tão logo.

Não me lembro das minúcias de cada prato, mas lembro da impressão geral e de alguns detalhes que marcaram. Todos surpreenderam, pelas combinações, pela apresentação e pelos ingredientes. Depois de alguns (sim, alguns) deliciosos amuses-bouches, trouxeram uma seqüência de entrada fria, entrada quente, primeiro prato, segundo prato, e assim por diante. Havia pratos vegetarianos, frutos do mar, peixe, carnes e aves. Como sabem, não gosto muito de aves, mas um dos pratos que serviram foi uma perdiz com foie gras, que me marcou profundamente. O prato principal foi um beef rib-eye servido com tutano, mais uma daquelas coisas que nunca havia provado. Após as sobremesas, trouxeram um carrinho repleto dos mais deliciosos confeitos (mignardises) para escolhermos. Ufa!

Entre os vinhos, os que mais me impressionaram foi um Pinot Noir californiano (Dutton-Goldfield, Russian River, 2005) e um Riesling alemão. Serviram também um Grand Cru da Bourgogne e um extraordinário Bordeaux. Assim que arrumar o meu scanner foi postar a lista.

O serviço foi um exemplo do profissionalismo americano. A troca de pratos e talheres era uma operação precisa e bem orquestrada, que acontecia simultaneamente para ambos os comensais. O tempo entre um e outro prato nunca foi curto ou longo demais, um timing perfeito.

Saímos com a impressão de sermos felizardos por ter vivido uma experiência tão extraordinária.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Viagem a San Francisco, parte 2

A melhor torta de maçã

Nos EUA, torta de maçã é uma instituição. Todos gostam, todos servem, todos têm sua receita predileta. Nessa viagem, encontramos o que julgo ser a melhor que já provei. Até o momento, pelo menos.

Estávamos indo do Parque Nacional de Yosemite para San Francisco, quando paramos para almoçar na estrada, num pequena cidade chamada Mariposa. Vimos dois restaurantes interessantes, e acabamos indo almoçar naquele que achei mais atraente, pelo menos por fora. Era uma espécie de lanchonete-diner, com um menu imenso e algumas poucas mesas. Os clientes iam até o balcão, faziam o pedido e o esperavam na mesa. Pedimos duas saladas do bem-sortido salad bar e dividimos um French-dip sandwich. O lugar tinha duas interessantes curiosidades. A primeira eram as paredes e o teto forrados com capas de antigos LPs, dos anos 70 e 80. Foi divertido esperar a comida redescobrindo os álbuns que já foram sucesso. A segunda eram os banheiros, do lado de fora: embora simples, nunca vi banheiros tão limpos e cheirosos. Como é fácil dar uma boa impressão aos clientes, não? Como a Érica tinha gostado do outro restaurante, quase ao lado deste, resolvemos tentar a sobremesa do lado de lá. O lugar também era um diner, um pouco mais sofisticado, chamado Red Fox Restaurant. Não havia ninguém, apenas uma garçonete. Falamos que queríamos apenas dividir uma sobremesa, se havia algum problema. Sem problema, disse a garçonete. Pedimos uma fatia de torta de maçã a la mode, seja, com sorvete. Pois bem, era uma torta de-li-ci-o-sa. Bem fresca, tinha uma massa no ponto, pedaços enormes e saborosos da fruta e um fundo de caramelo. Nunca provei melhor. Estava tão boa que pedimos um segundo pedaço, sem o sorvete desta vez, para controlar as calorias ;-). De qualquer forma, confirmou minha crença que a comida básica bem feita rivaliza com as mais sofisticadas criações dos grandes chefes. Embora essas últimas tenham a vantagem do novo e da surpresa, de combinações, texturas e sabores inesperados, a culinária doméstica e tradicional tem seu mérito comprovado pelo tempo.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Viagem a San Francisco, parte 1

Fomos recentemente à San Francisco, para descansarmos por alguns dias. Saímos de Sacramento, na Califórnia, onde a Érica participou de um congresso, e fomos até Yosemite, onde passamos dois dias. De lá, seguimos para São Francisco, onde ficamos mais seis dias. Embora breve, a viagem deixou boas lembranças e muita vontade de voltar. Comentarei, aos poucos, alguns dos eventos gastronômicos mais dignos de nota. No geral da viagem, ficamos impressionados com duas coisas:

Nos chamou a atenção a gentileza das pessoas. Tanto nas cidades menores como nas maiores, todos aqueles que conhecemos, sem exceção, foram bem-humorados, atenciosos e tranqüilos. Nos fez lembrar quanto nós, paulistanos, estamos estressados.

Em todos os lugares, comemos maravilhosamente. Respeitadas as diferenças, a comida foi excelente tanto em um pequeno diner da cidade de Mariposa, quanto no Dining Room do Ritz-Carlton.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

De mineiros e queijo

No início do ano passado, viajamos de carro até as cidades históricas de Minas. Em Tiradentes, resolvemos visitar a vizinha vila de Bichinho, famosa pelo seu artesanato. Mais de uma pessoa nos recomendou que lá fossemos almoçar no Tempero da Ângela. Após visitar algumas lojas de artesanato – nas quais podia-se achar a ubíqua pomba do Divino – fomos ao tal restaurante. Era, de fato, muito simples, com os comensais servindo-se da comida no próprio fogão a lenha da casa. Estava bem lotado, principalmente de turistas, além de um ou outro local. O que mais ouvíamos entre os presentes eram loas à deliciosa comida caseira da Ângela. Embora fosse decente, não achei extraordinária. Achei que talvez por terem sido convencidos a vir almoçar no local, não queriam dar o braço a torcer e admitir que a comida era apenas, bem, mediana. De qualquer forma, chegada a hora da sobremesa, fomos perguntar o que havia. A resposta: “Não tem sobremesa porque acabou o queijo”. Nos entreolhamos e confirmamos. Havia compotas e doces, mas como não havia queijo, acharam melhor não servir sobremesa. Isto dá uma medida da importância dada ao queijo pelos mineiros (há piadas que circulam sobre este tema). Saímos de lá frustrados, mas descobrimos que em uma outra casa, quase em frente, vendiam-se doces. Deliciosos, aliás. Acabamos provando, repetindo e levando para casa um delicioso doce de abóbora e um doce de leite, que salvaram o dia.

sábado, 31 de março de 2007

Viagem a Paraty

Fomos, Leo e eu, a Paraty no fim de semana passado, para mergulhar. Érica ficou em São Paulo, trabalhando em sua tese de doutorado. Chegamos em Paraty na própria sexta-feira, e jantamos em um restaurante que não vale a pena ser comentado (Simon). No sábado, fizemos dois mergulhos, separados por um almoço de cachorro-quente a bordo do barco. Não sei por qual motivo, sempre é servido cachorro-quente nessas saídas de mergulho. Preciso lembrar disso e levar um farnel na próxima vez. De qualquer forma, após voltarmos para Paraty e circularmos pela cidade, fomos jantar no Chafariz, com o pessoal da Sabe, a escola de mergulho, freqüentadores assíduos desse estabelecimento. O Chafariz fica fora do centro histórico ao lado da Praça (sim) do Chafariz. Embora muito simples e despretensioso, serve comida de qualidade e está sempre lotado. Da última vez que fomos a Paraty, por ocasião de nosso primeiro mergulho no mar, já havíamos jantado lá e gostado muito. Não me lembro do que pedimos na época; desta vez, escolhemos uma peixada com banana-da-terra. O peixe do dia era cavala. O prato veio rápido (embora não tanto quanto o bacalhau do Cereja) e estava ótimo. Não havia sofisticação nos ingredientes, apenas as postas de cavala, e pedaços graúdos de cebola, pimentão verde e tomate picados, além das bananas-da-terra, claro. Contudo, dentro de sua simplicidade o prato estava delicioso. Havia muito equilíbrio entre os ingredientes, e o tempero valorizada o sabor do peixe. Veio acompanhado com arroz, como é comum nesses casos. O pitoresco é que no restaurante do dia anterior, pedimos o prato de dia, que era descrito com abundância de adjetivos, nas no final das contas era apenas um filé de pescada frita, batatas fritas e arroz com uma pequena folha de manjericão decorando-o (não combinou). No Chafariz, ao contrário, a descrição do prato era lacônica e o prato generoso no sabor. Fique tão entusiasmado com a experiência, que na quinta-feira passada comprei bananas-da-terra e hoje, na feira, comprei uma tainha em postas, para tentar recriar o prato em caso, em um futuro próximo. Se for bem sucedido, postarei a receita.

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Érica e seu radar de sobremesas

Este caso aconteceu em nossa viagem para a Itália, a mesma da visita à Cucina da Oscar. Estávamos passeando pelo Lago de Garda, perto de Gardone Riviera, creio. Aproveitando os preços da baixa temporada, ficamos em um hotel particularmente agradável, à beira do lago. Depois que chegamos e fizemos nosso check-in, passeamos pelos arredores, para caminhar um pouco e ver a linda paisagem da região. Ao voltarmos, passamos por um hotel, ao lado do nosso, maior e mais elegante. Da rua, que corria ao lado do hotel, ouvia-se o burburinho da cozinha e sentia-se o delicioso aroma do jantar sendo preparado. Como era meu aniversário, achamos que um jantar no hotel bacana seria justificado. Fomos para o hotel, nos arrumamos e voltamos para jantar, ainda cedo pelos nossos padrões. Com sabem, gostamos de sair a noite limpinhos e cheirosos. Dentro do clima de comemoração, fui de paletó, com um linda gravata da Piazza di Spagna, Roma, que Érica havia me dado. Chegamos ao restaurante, nos apresentamos ao maitre, e olhamos em volta. A casa estava cheia, com algumas pessoas já se retirando. Foi quando o maitre disse que estavam para fechar (ainda não eram nem 9:00 horas!), mas daria tempo para jantarmos. Como na pequena cidade não havia alternativas (ainda mais arrumadinhos do jeito que estávamos), topamos. O maitre saiu em disparada para mostrar-nos a mesa. Corri atrás dele, arrastando a Érica. Mal reparei o que havia no caminho, com medo de me perder de vista o maitre e a oportunidade de jantar. Sentamos a mesa e jantamos. Rapidamente. Mal havíamos sentado à mesa, trouxeram o couvert, a entrada, o prato principal, que faziam parte do menu do dia. Não ousei perguntar se havia alguma coisa à la carte. Quando terminamos este último, já não havia quase ninguém, fora os garçons virando as cadeiras sobre as mesas. Ainda não eram 10:00 horas. Quando estávamos ainda terminando o prato principal, o maitre voltou e sugeriu um sortido de sobremesas. Temendo que não sobrasse nada, rapidamente respondi que sim. Voltei-me para a Érica, orgulhoso da minha presença de espírito e de ter assegurado a nossa sobremesa. "Você nem esperou eu perguntar se ainda havia aquela torta tal-e-tal!" fuzilou ela. "Como você sabe que existe a torta tal-e-tal?" perguntei, pasmo. "Eu vi quando chegamos, ora!" Pois bem, leitores. Eu não havia reparado, mas quando estávamos perseguindo o maitre rumo à nossa mesa, passamos pela mesa de sobremesas. Érica não apenas registrou esta informação, mas também gravou em sua mente todas as sobremesas dispostas na mesa, em uma passagem que durou apenas alguns segundos. Ela havia visto a torta tal-e-tal e tinha passado o jantar com vontade de prová-la. Os céus estavam do meu lado. No sortido de sobremesas que veio, rapidinho, estava inclusa a torta tal-e-tal. Nem ousamos pedir café, para não sermos jogados nas frias águas do Lago de Garda por uma enfurecida equipe de garçons que queriam ir para casa às 10:00 horas. O jantar, aliás, foi muito bom. Gostaria apenas de tê-lo desfrutado com um pouco mais de calma.